Os conceitos de Odontologia vêm se aprimorando cada vez mais e deixando para traz a visão de que a sua finalidade se restringe apenas à remoção de dor.
A própria prática dos programas sociais na Odontologia Preventiva tem diminuído o número de restaurações e conseqüentemente o número de extrações, através de orientações quanto aos hábitos alimentares e de escovação, uso de fio dental, flúor, selantes para tratamentos preventivos, entre outros. Porém, vale ressaltar que a estatística atual está bem longe da ideal.
Hoje, é comum encontrarmos em revistas informativas como, por exemplo, a Isto É, discussões sobre tratamentos odontológicos mostrando técnicas de clareamento dental, facetas de porcelana, fechamento de diastemas, e estes são os grandes motivadores para a busca desse novo tipo de tratamento, que obriga o Cirurgião Dentista a estar cada vez mais qualificado para o mercado de trabalho. Mais do que uma restauração funcional, o paciente exige estética nos seus tratamentos.
E para comprovarmos esta análise, basta observarmos os novos títulos de Dentística lançados no mercado:
Restaurações Estéticas (José Mondelli e Cols, 1987);
Restaurações Estéticas Indiretas em Dentes Posteriores - Inlay/Onlay (Glauco Fioranelle e Cols, 1995);
Odontologia Estética (Josef Schimdiseder e Cols, 2000);
Dentística - Saúde e Estética (Ewerton Nocchi Conceição e Cols, 2000).
Já em 1928, o cinema falado tinha início e a boca passava a ganhar maior importância nas telas, dando o marco inicial à Odontologia Estética (BARATIERI e Cols, 1996).
A maior preocupação da Odontologia sempre foi o desenvolvimento de um material restaurador estético de uso direto com características permanentes (JOSÉ MONDELLI e Cols 1990), porém, apenas em 1955, Buonocore apresentou a técnica do condicionamento ácido, e 20 anos se passaram até que esse conceito fosse amplamente aceito pela Odontologia e que se construísse o início da Odontologia adesiva.
Pode-se observar abaixo a visão cronológica do desenvolvimento de novos materiais sintéticos na Odontologia (do livro Odontologia Estética, SCHIMIDSEDER e Cols, 2000):
· 1933 - invenção do metil - metacrilato (MMA);
· 1942 - invenção da polimerização a frio;
· 1949 - a primeira resina polimerizável a frio chega ao mercado;
· 1951 - HAGGER afirma que é possível uma ligação da dentina com resina;
· 1955 - BUONOCORE introduz a técnica do condicionamento ácido para a ligação esmalte-resina;
· 1963 - BOWEN obtém uma patente para o primeiro material resinoso por ele desenvolvido;
· 1973 - estudos clínicos mostram que as resinas sofrem fortes abrasões, e por isso, não são adequadas para restaurações de dentes posteriores;
· 1973 - são apresentados materiais de selagem com endurecimento por UV;
· 1977 - resinas microparticuladas são introduzidas no mercado;
· 1978 - introdução de resinas fotopolimerizáveis;
· 1978 - FUSAYAMA descreve a técnica total-etch;
· 1980 - estudos clínicos mostram que a abrasão continua sendo um grande problema das resinas nas restaurações de dentes posteriores.
· 1990 - a técnica de total-etch é aceita como medida padrão de tratamento.
O desenvolvimento das resinas deu início a uma nova época, sendo que essas contêm três componentes em sua constituição:
- uma matriz de polímero;
- um agente de adesão;
- e partículas de preenchimento.
A matriz dos compósitos consiste de várias ligações químicas dentre as quais e mais importante é a resina.
Os sistemas resinosos são à base de Bis- GMA, possuem ainda sistemas de iniciação, geralmente peróxido de benzoíla/ ativação, geralmente uma amina terciária, sistemas de inibição para que não ocorra uma auto-polimerização durante a armazenagem, que são freqüentemente as hidroquinonas, agentes de o união para se obter uma boa ligação entre resinas e partículas de cargas que são adesivos geralmente pertencentes ao grupo dos silanos.
E para dar características estéticas aos compósitos, as matrizes das resinas são ligadas quimicamente com compostos absorvedores de luz UV, diversos pigmentos e opacificadores em pequena quantidade (SCHIMIDSEDER e Cols, 2000). Essa rápida revisão da composição das resinas serve como base para falarmos dos corantes resinosos. É importante ressaltarmos que se são diferentes dos corantes usados para pigmentação das porcelanas cuja composição é a mesma da porcelana adicionada a pigmentos, enquanto que os corantes resinosos têm em sua composição: BisGMA, dimetacrilato de uretano, dióxido de silício disperso e silanizado, iniciadores, estabilizadores e pigmentos.
Os corantes resinosos servem como agentes opacificadores para caracterizações de restaurações de resina composta fotopolimerizável, diretas, indiretas e semidiretas e opacificação de núcleos e pinos metálicos.
Hoje no mercado existem várias marcas comerciais, e dentre as mais conhecidas estão a BISCO, DENTSPLY, KERR e VIGODENT (Fill Magic Cores), sendo a última de fabricação brasileira e sobre a qual estaremos dando descrições.
Esses corantes apresentam-se comercialmente em pequenas seringas de 1,2 ml de volume nas cores amarelo, marrom, azul, branco e cinza sendo que, dependendo da finalidade de seu uso será indicada a escolha da cor a ser utilizada.
Para tanto é importante conhecermos alguns princípios das cores, pois nem sempre todas as cores estão disponíveis e através de combinações podemos conseguí-las. |